The Boys of Dungeon Lane
Paul McCartney · Pop Rock
“É uma volta olímpica linda, mas não vamos fingir que o estádio já não estava de pé antes de ele cantar uma nota. Paul McCartney poderia lançar 47 minutos de barulho de chaleira e ainda chegar ao número um, e lá no fundo, ele sabe disso.”

Paul McCartney tem 83 anos e continua lançando discos, o que é inspirador ou um pedido de socorro, dependendo do que você acha de bilionários com estúdio em casa. The Boys of Dungeon Lane é seu vigésimo álbum solo, produzido com Andrew Watt, o zelador oficial das lendas do catálogo, e faz exatamente o que se espera: olhar para trás, com carinho, por 47 minutos. O título aponta para uma viela de Liverpool onde o pequeno Paul perambulava, e as canções obedecem, só cercas vivas, amigos mortos e dias que deixamos para trás, que aliás é literalmente o título do primeiro single, porque a sutileza se aposentou antes dele. A produção de Watt é de um bom gosto quase doentio, cada bateria polida, cada rachadura daquela voz famosa iluminada como peça de museu. E a voz já racha, sejamos honestos, embora as melodias que ela carrega continuem irritantemente fáceis, do tipo que ele espirra enquanto compositores menores suam sangue por um refrão. A cínica em mim observa que a nostalgia de uma infância em Liverpool é a jogada comercial mais segura que um Beatle pode fazer, uma volta olímpica com percurso pré-aprovado. A crítica em mim observa que a volta é corrida lindamente. Foi para o número um no Reino Unido, claro. A gravidade também continua funcionando.
Eis o que ninguém quer admitir sobre o McCartney tardio: o dom melódico nunca foi embora. Days We Left Behind tem uma virada de acordes na ponte pela qual a maioria dos compositores trocaria um membro, e as baladas mais suaves vestem seus 83 anos como couro bom, rachado nos lugares certos. Andrew Watt resiste à vontade de embalsamá-lo em verniz de estádio, e o tom reflexivo parece merecido, não saído de grupo focal. A crítica o chamou de um dos discos mais fortes de sua carreira tardia, e por uma vez o consenso não é só educação com uma lenda. É um homem escrevendo sobre a própria infância com a calma de quem sabe exatamente como a história termina, e essa calma comove de verdade.
The Nostalgia Is the Product
Watt's Museum Lighting
The Voice Writes Checks the Larynx Can't Cash
Think your track survives me? Drop a link.
A full teardown from €2,99. No mercy.